25 de junho de 2015

A Necessidade de Mentir.

(Não, não vem aí um texto cheio de revolta.)

Mentir é necessário. Facto. Mentimos à amiga que parece uma rotunda naquele vestido, mentimos à mãe quando o namorado nos deu com os pés e nós insistimos em dizer que estamos frescas e fofas, mentimos ao professor quando dizemos que o avô deslocou a anca e por isso não fizemos o trabalho de casa.
Podemos discutir sobre quais as aceitáveis e quais as que não o são. Isso fica ao critério de cada um (podem partilhar a vossa opinião a este respeito!) e é tão subjetivo quanto o conceito de bom e mau.

Eu sou óptima a mentir. Admito. Aprendi a mentir na escola para me safar de recados na caderneta e passei a usar a minha habilidade para imensa coisa. Cresci e passei a mentir em apenas duas situações:
- Situações embaraçosas que me obrigam a criar a mentira imediatamente (O que fazes aqui com o meu irmão?);
- Quando me perguntam algo e eu não quero contar (mas a pessoa insiste).

Mentira. Também minto nas entrevistas de emprego. "Qual o seu maior defeito?"... Bolas!
"Sou muito perfecionista." "Às vezes sou demasiado persistente." Ahahah
Treta! Sou uma grande preguiçosa! Mas por ser preguiçosa, sou óptima a criar atalhos nos processos e a arranjar formas de desenvolver trabalho muito mais rapidamente. Se o empregador acreditava nisto se eu lhe dissesse? Claro que não! Então, sou "demasiado persistente"! Ahahah

Agora do outro lado. Já me mentiram muito. Tanto quanto a vocês. Já conheci príncipes e princesas que tinham um reinado infinito. Na verdade viviam num T1 com mais 3 pessoas.
As maiores mentiras que já ouvi foram sempre na tentativa de aumentar o património. E eu que me interesso tanto pelo que os outros têm... (irony all over the place)
A melhor mentira que já ouvi veio de um rapaz que disse ter 6 meses de vida devido a um problema no coração. Tocou no meu e lá me sacou. Continua vivinho, já passaram 5 anos.

Por ser boa mentirosa tenho algum (mentira, muito!) jeito para apanhar as mentiras dos outros. Não me perguntem como. É uma questão de contexto e detalhes.
A verdade é que mentir é tão banal que eu até já peso as mentiras nos dois pratos da balança.

Se o gajo disse que andava de BMW e anda de Fiat Punto (nada contra!) eu vejo de duas formas nada compatíveis:
- Este gajo está a tentar impressionar-me, a tentar captar a minha atenção e interesse.
- Este otário deve achar que se contasse a verdade eu não lhe continuava a falar. Deve achar que me interessa o que ele tem!

Às vezes é escolher uma das formas e levá-la para as futuras mentiras. Outras vezes é sorrir e acenar...

Há as mentiras cruéis, as piedosas, as de engante, enfim. Os estudos dizem que mentimos muito. Acredito.
As mentiras são das coisas mais difíceis de perdoar (e posteriormente esquecer). Uma mentira pode começar uma relação e também pode terminá-la. A descoberta de uma mentira pode doer mais do que uma coça daquela gaja culturista lá do ginásio.

O que é que falta, quando mentimos? Sensibilidade.
Saber reconhecer o impacto das palavras e quão devastadora pode ser a revelação da verdade.

Enfim. Encham o bolso de honestidade e saiam à rua. Mas continuem a dizer àquela rapariga tímida e sem confiança nenhuma que ela está giríssima hoje. Pode não ser verdade hoje, mas poderá sê-lo amanhã! :)



Um beijo,
MariaDaniela

3 comentários:

  1. :D

    já eu sou o oposto! Detesto mentiras! simplesmente detesto-as!
    Se me perguntam qual o teu maior defeito, é simples "Sou transparente! Não minto! Não consigo disfarçar quando não gosto, quando acho horrível, quando não acredito..." (não é fácil, principalmente quando se está com chefias!!! por isso nunca vou progredir na carreira! não consigo ouvir baboseiras e ficar com um sorriso na cara a fazer que acredito!)
    Daí quando alguém quer saber se as calças/vestido/etc. fica bem, perguntam-me!
    Quando não quero responder, é simples, dou um grande sorriso e digo "Está a ser inconveniente, não vou responder!" se a pessoa insiste, viro costas e vou embora (acabam por perceber!)!

    Não acredito em mentiras piedosas, nem pequeninas, nem grandes... são o que são, mentiras e uma perfeita perda de tempo!

    à menina tímida e sem confiança, prefiro conhecê-la e tentar perceber a origem da sua insegurança para poder ajudar atacando diretamente o problema, para que possa enfrentar o mundo com mais determinação!
    Não é dizendo "estás gira!" todos os dias a uma pessoa que parece vestir-se sempre às escuras (vá lá! acontece a todos uma vez por outra, não digam que não!), ou que corta o cabelo dum modo que não a favorece, que a ajudamos!

    Não quero dizer com isto que nunca minto, apenas que evito a todo custo mentir, e de tanto tentar acaba por se tornar um hábito, a verdade sai, salta-nos da boca sem filtros!
    Sai tantas vezes que vira e mexe a minha mãe ainda diz-me "MJ sinceridade a mais é falta de educação!"
    Pois é outro grande defeito ser "mal educada"! Mas o "politicamente correto" para mim é algo que também não existe... política e correção são duas palavras que não cabem na mesma frase complementando-se, são antagónicas!
    Sou estranha, eu sei, mas é a maneira como fui aprendendo a estar na vida!

    Bom post!
    Bj
    Maria

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    1. É por isto que eu adoro ter um blog! Gostei muito de ler a tua opinião e a tua postura!
      Um beijinho *

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  2. Na verdade, toooooda a gente mente ahah! Eu também o faço em inúmeras situações em que não posso/não quero dizer a verdade. Invento desculpas com imensa facilidade também :D

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