20 de novembro de 2015

É Amor mesmo que não seja Correspondido.


O meu lado lamechas anda a querer chamar a atenção. Então, que lhe seja dado protagonismo, com um bocadinho de cérebro pelo meio.

Não sei se é só da minha geração e seguintes, mas há assuntos do coração que são tratados com uma leveza surpreendente. Hoje terminam uma relação e para a semana já são vistos de mãos dadas no shopping com outra cara metade. Não concordo porque na maioria das vezes não foi feito o luto.
"Mas ninguém morreu, Daniela", dirão vocês.
Morreu sim. Acabou uma fase da vossa vida. Sabem que todos os dias estamos a construir a nossa história?
Morreu quem vocês eram com aquela pessoa. Tem de se observar e manusear o sentimento que existia e o que ficou. Aí, arruma-se tudo em "caixinhas" na nossa cabeça. E avançamos. O luto está feito. 

Acredito que todas nós tenhamos assuntos por tratar com alguém do passado. Que quando vemos essa pessoa, os sentimentos andam tontos à bulha uns com os outros e nós não sabemos se odiamos, amamos ou desprezamos esse ser humano. 

Normalmente, essa caixinha por arrumar tem que ver com um amor não correspondido.
Conto-vos porque tenho esta maneira de ver as coisas.
O meu primeiro namoradinho deixou-me após 3 longos meses de relação. Ao fim de 5 anos (!), voltou a aproximar-se e agora com uma distância de 300 km entre nós, quis voltar a tentar. Ambos sabíamos que tínhamos tudo para ser um casal épico. Podíamos conquistar o mundo e as nossas personalidades encaixavam como palavras bonitas em promessas de amor. Só nos faltava uma coisinha: amor.
Voltou a não dar. Ambos temos pena por ser assim. Eu, que não tinha tudo estruturado na minha cabeça quando ele voltou, fui quem sofreu mais. Porque não sabia o que estava a acontecer. Não fazia a mais pálida ideia do que sentia.
Aí, criei uma caixinha onde cabia respeito, carinho, calma e ele. A essa caixinha chamei "Passado".

E é isto que vos quero transmitir. Que percam o vosso tempo a pensar no que falhou, no que vos afastou. Não é preciso ter pressa, não é com outro amor que vamos esquecer o anterior e sarar as feridas. Se tudo não estiver estruturado vão sentir-se confusas assim que ouvirem falar no nome dele. Assim que um desconhecido tiver o mesmo perfume que ele. Assim que um telemóvel de alguém tenha o mesmo toque que o dele. 

O mesmo serve para quem não foi amado por quem amou. Pensar, mastigar, digerir tudo e associar um sentimento claro a essa pessoa. Não é vergonha passar por um desgosto destes. Merece tempo para ser pensado, para ser chorado, para virar passado. Faz-nos falta e dá-nos fibra. Torna o coração mais leve.
Porque é amor na mesma. Mesmo que não seja correspondido.


Um beijo,
MariaDaniela

2 comentários:

  1. Querida Maria... é tão verdade as tuas palavras... mas há uma pequena coisinha: quando chegar o dia em que os dois remam na mesma direção, só nessa altura, vais "olhar" para trás e perceber que afinal nunca foi amor! ;)

    Um beijinho
    Http://www.abreapestana.com

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    1. Obrigada por partilhares a tua opinião! A minha é diferente mas compreendo a tua.
      Acho que o primeiro amor aos 15 anos é amor. O que vai mudando é a intensidade (por exemplo), tal como nós próprios vão mudando.
      Já tive uma relação em que, como dizes, remámos e olhámos na mesma direção. Tenho a certeza que nos amámos muito. Mas o amor, infelizmente, não chega, não sustenta tudo. E... até o amor acaba :)
      Um beijinho!

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