22 de fevereiro de 2016

Carta aberta aos melhores amigos que foram embora.

Caríssimos... 

Já viram como ainda vos tenho estima? Trato-vos da mesma forma que aos meus fantásticos colegas de trabalho. Como está o meu trabalho? Ahh, está muito bem, obrigada por perguntarem. Bem sei que nunca mo perguntaram directamente mas a questão paira nas vossas cabeças, não é?

Acredito que continuem a competir comigo, tal como faziam com as notas dos testes. Deixei-vos sempre ganhar, sabem? Deixei-vos sempre ficar com o melhor, deixei que fossem as estrelas da companhia. Hoje já não seria assim. Não. Sabem porquê? Porque desde que experimentei brilhar pela primeira vez nunca mais quis reduzir-me, colocar-me debaixo do tapete, desligar o interruptor.

Hoje sou o melhor e o pior que já imaginaram de mim. Sou a maior lutadora, a mais determinada, a mais divertida, mas também sou a mais fria, demasiado sarcástica, completamente impermeável. Iam adorar conhecer-me assim. Não, pensando bem, iam odiar!

Estou a ser ingrata. Foram vocês que me tornaram nisto. Foram vocês que deixaram feridas abertas, essas mesmas feridas que sararam com a ajuda de corações gigantes. Se ficaram cicatrizes? Claro que sim! É para elas que olho todos os dias em busca de mais motivação, de mais garra. Não vos posso tirar o mérito. Foi graças ao vosso desprezo e ao vosso escárnio que hoje estou a vincar o meu nome, a marcar a minha posição, a merecer o respeito de cada vez mais pessoas. 

É interessante ver como vocês perderam. Tanto competiram, tantas comparações fizeram, como é que nunca perceberam o meu potencial? Posso concluir que não são assim tão inteligentes como gostavam de fazer parecer. Têm noção de como vos podia ajudar agora, se continuássemos inseparáveis? É, de facto, não são tão espertos como as vossas mães apregoam. 

Sabem como me deixaram no fundo do poço quando simplesmente desapareceram da minha vida? Agora apeteceu-me recuar, desculpem. Sabem como tive medo de voltar a ser eu, achando que não ia voltar a ter amigos? Tive muito medo de ter alguma coisa de errado. Escondi a minha gargalhada e o meu humor estranho. Tornei-me tímida demais, virei a maior desconfiada e enrolei o coração em papel de alumínio para não deixar entrar mais nada. 

Mas o tempo passou. No início acreditei que íamos voltar a ser imparáveis, juntos. Depois rodeei-me de gente muito boa e de mim mesma. Criei o meu porto seguro e segui caminho. Não me lembro de vocês com frequência, admito, mas quando se apoderam do meu pensamento só consigo sorrir. Sorrir e desejar-vos mentalmente o melhor. Sabem, sempre acreditei que quanto mais felizes as pessoas estiverem menos se preocupam com a felicidade dos outros. Então, quero que estejam imensamente felizes e não se preocupem comigo. Sem vocês eu estou bem, aliás, estou melhor que nunca.


Daniela.



5 comentários:

  1. Oh meu Deus!!! Aconteceu-me exatamente o mesmo, mas ainda estou na fase da reabilitação. Ainda ontem escrevi sobre isso no blog. Estava a ler o teu texto e não queria acreditar. Estás a ver o penúltimo parágrafo? Foi igual para mim... Ainda estou a batalhar para chegar à fase em que já estás, espero conseguir!
    Beijinho

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    1. Força miúda. Se há desgosto que dói para caraças é este. Perder os (outrora) amigos. Vamos lá ao fundo e quando virmos que não há mais por onde descer, o único caminho é subir!
      Acredita no karma, na justiça divina, no que quiseres, porque as coisas dão mesmo a volta. Garanto-te!
      Cabeça erguida! :)

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    2. Obrigada, muito obrigada! É mesmo um daqueles desgostos fortes... Às vezes até me sinto parva por pensar assim, porque há coisas bem piores, mas este é daqueles que nos consegue mesmo deitar abaixo e tirar toda a auto-estima...
      Mas agora é mesmo para subir e deixar isto para trás, vejo-te como um exemplo! :)
      Um beijinho, e vou fazer tudo por manter a cabeça erguida!

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  2. Poderoso (=

    Identifico-me com algumas coisas, acho que toda a gente se consegue identificar um pouco com isto... e realmente o melhor a fazer com todas as coisas más, é tentar aprender algo com elas.

    Que essa felicidade se mantenha (;

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    1. Acho que sim, já toda a gente passou por isto (ou semelhante). Custa para caraças mas traz muita aprendizagem :)
      Um beijinho e obrigada!!

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