7 de março de 2016

O currículo e uma fotografia atual, por favor.

Antes de mais, já repararam que estou a publicar um bocadinho de "treta" às segundas-feiras? É, gosto deste formato e de começar as semanas de forma serena. Já que adoro escrever, têm de levar com uma dose semanal de "desabafo". Sacrifícios!

Adiante.
Quem anda ou já andou na luta por um emprego já leu de certeza esta frase que figura no título.
O nosso percurso académico e profissional é imprescindível quando nos candidatamos a um lugar mas a nossa cara também tem muito que se lhe diga.
A grande maioria dos anúncios de emprego pede uma foto atual a acompanhar o curriculum vitae e a carta de apresentação. Não é por acaso nem é para saberem se são aquele bebé que abandonaram à porta do hospital. Os propósitos são muito mais macabros, minhas amigas.
Não é novidade nenhuma que a nossa aparência tem imensa importância nas mais diversas situações. Vendem-nos isso na faculdade (pelo menos na minha), nas revistas e restante comunicação social, nas lojas de roupa e maquilhagem. Sim, deve ser intrínseco à nossa alma querermos ser Doutoradas e ter as medidas perfeitas.
Os empregadores também são influenciados pelos mesmos "fazedores" de opinião que nós. E levam o assunto muito a sério.
Portanto, se a aparência tem peso na seleção dos candidatos a um lugar? Tem! E muita!
Conheço o lado de alguns empregadores e conheço o meu lado: o de quem precisa de emprego.
Por mais que não digam, sabemos sempre que aliado a um percurso interessante deve estar uma cara bonita. É mais cativante e enquadra-se melhor em momentos de exposição pública.
E se não formos a miúda mais gostosa do pedaço? E se temos acne, cicatrizes ou usamos uns óculos com lentes muito grossas?!
A verdade é que as pessoas mais competentes que conheço não são de todo as mais bonitas. Isso devia fazer alguém perceber que não é um belo rabo que define uma boa assistente. Nunca foi.
Mas estamos a ser rotulados pela nossa aparência, cada vez mais.

Há dias, o meu superior (de quem sou amiga pessoal) advertia-me a não cortar o cabelo, conforme o que eu ia lamentando as minhas pontas secas. Dizia ele, e eu sei que assim é, que o cabelo comprido me dá a jovialidade que estava a faltar aqui. Que com fios mais curtos vou adquirir seriedade e sobriedade em demasia. Entendo-o. Toda a gente me leva a sério (sem dúvida!) mas entre eles sou a miúda fresca e fofa que para além de lhe dar duro no excel também sorri para toda a gente. E eu tenho a certeza que é por isso que aqui estou. Por ser acessível, por me adaptar e pelos meus fios leves e longos que combinam tão bem com o sorriso rasgado. Não me envergonho de o dizer. Envergonha-me é que possa haver alguém muito mais competente do que eu que ficou para trás somente porque era mais atarrecado, mais tímido ou com dentes mais tortos.
Isso é que me magoa e me lixa o juízo. Que se esteja a vender mais a imagem que o conteúdo. Que, na preparação para uma entrevista, seja motivo de maior preocupação a maquilhagem que se leva do que o conhecimento da empresa empregadora.
Tira-me do sério que o  aspecto físico seja avaliado. Que apenas os mais bonitos sejam selecionados para entrevista. Não é justo. Todos sabemos que não. 
Conversava há pouco com um amigo que está a terminar o curso e se mostrava cheio de medo de não conseguir emprego por causa da aparência. Ele tem um ar de "Estou-me nas tintas" naturalmente, que não diz rigorosamente nada sobre ele mas que é o que transmite sem falar. Facto. 
É tão ingrato que a maior preocupação dele nesta fase seja a aparência... 
Espero muito sinceramente que esta situação se dissipe. Que o carácter e as qualidades individuais sobressaiam mais do que a cor dos olhos. Precisamos muito que assim seja.  



MariaDaniela

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