28 de março de 2016

Tu és muita forte : aqui tens as 5 razões!

- Aguentaste os castigos dos pais, as limitações, os "nãos"

Olhas para trás e percebes que passaste por castigos mais ou menos merecidos, por discussões, por arcar com culpas que nem sempre eram tuas. Suportaste os teus irmãos, os teus primos ou os filhos dos vizinhos quando só te apetecia estar no teu mundinho. Não foste a mil festas de anos dos teus amigos, não tiveste aqueles ténis muita giros que toda a gente tinha, não tatuaste uma borboleta nas costas. Podes até ter passado por algumas dificuldades económicas mesmo que os teus pais tenham tentado por tudo que não sentisses a crise. Ouviste sermão por teres sido rude, por teres amuado, por teres respondido torto, por te levantares da mesa sem pedir licença. Doeu, não foi?

- Superaste a maldade da adolescência

Na escola, foste a mais magra, a mais alta, a estrangeira, a mais tímida, a mais faladora ou a combinação de 3 factores ao calhas. De certeza que a adolescência não foi um mar de rosas para ti. O teu corpo mudou e se não aconteceu no mesmo milésimo de segundo que o das outras raparigas já estavas "mesmo a pedir" um comentário parvo. Ou tiveste borbulhas, ou usaste óculos ou aparelho ou tudo de uma vez! Talvez tenhas trocado de grupo de amigos porque te sentiste desadequada, talvez te tenhas sentido sozinha mesmo rodeada por centenas de putos da tua idade. Possivelmente levaste muita pancada psicológica que te obrigou a sarar feridas e empinar o nariz.

- Passaste por um desgosto amoroso e deste a volta

Já tiveste as paixões mais assolapadas e quaaase de certeza que já passaste por estas três situações: gostaste de alguém que não gostava de ti, tiveste alguém a venerar-te sem resposta e namoraste com alguém que te fez o coração num frangalho. A mais dolorosa é sem dúvida a terceira, não é? O fim de uma relação afecta todos os aspectos da nossa vida, achamos que nunca mais gostaremos de alguém daquela forma tão intensa e que tudo à nossa volta relembra momentos passados. Voltar a erguer a cabeça demora e dói mas eventualmente acontece. Nada nos garante que não voltaremos a sofrer desta forma mas ficarmos agarradas a um coração estilhaçado não é vida...

- Lutas todos os dias contra o preconceito, os estereótipos e as imposições sociais

Já te cansaste de ver modelos de 43 kg nas revistas, já sabes de cor que as tuas quase-amigas acham que devias fazer californianas no cabelo, colocar unhas de gel enormes e usar saltos agulha a condizer. Tens decorado que os teus caracóis devem ser alisados todos os dias ou transformados em ondas glamorosas. Estás cansada de saber que se és brasileira és uma oportunista, se és do leste és uma vadia, se és italiana és ninfomaníaca, se és tuga és uma sonsa que só quer o dinheiro dos homens. Estás cansada disto tudo, tal como eu. Corres ao fim do dia, não porque é moda nem porque queres ser igual às das revistas mas porque queres ser saudável e activa. Compras cremes e maquilhagem porque adoras agradar àquela miúda gira que vês do outro lado do espelho.

- Hoje és economista, psicóloga, decoradora, motorista, cozinheira. E nem usas um super-fato! 

 Desdobras-te em mil tarefas e atividades todos os dias e nem percebes que és óptima na maioria delas. Sabes que não tens obrigação nenhuma disso?! Cozinhas para os amigos, decoras a tua casa e a dos teus pais, estacionas em lugares pequeninos, ouves os dramas do teu vizinho, da tua melhor amiga e do teu chefe. Controlas ao cêntimo o teu ordenado modesto e ainda consegues comprar coisas lindas todos os meses. És mãe (ou aspiras ser) e filha presente, és melhor amiga, és namorada ou esposa, és parte de um grupo de corrida, de zumba ou de croché. 
És incrível e ainda nem deste por isso. Um dia terás de perceber o teu valor. Eu adorava que fosse hoje.




MariaDaniela

6 comentários:

  1. Adorei o post!! Perfeito para ler numa segunda feira ;)
    Grande beijinho,
    Madalena

    www.maadalenaaa.blogspot.com

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  2. Dá cá uma beijoca e um xiiiiiiiii dos grandes!

    Este teu post devia chegar a tooooooooda a gente, minha Maria Papoila mailinda.
    Infelizmente, e não sei muito bem porquê, temos uma enorme tendência para não nos darmos o devido valor e até para nos inferiorizar-mos. Já fui muito assim, mas tenho mudado isso ao longo dos tempos, o que tem feito muita diferença na minha vida.

    Não precisamos de ter as mamas da Pamela Anderson ou as pernas da Gisela Bundchen ou a cintura da Rita Pereira para termos valor.
    Não precisamos ser o Doutor X, ter um salário de 5000€ (se calhar sem trabalhar para o merecer) e conduzir o último carro topo de gama para termos valor.
    E podia continuar, mas tenho de trabalhar!

    E se tu sabes disto tuuuuudo (tu própria escreveste, hã hã), o que te falta para interiorizar? Duas chapadas, três murros e quatro pontapés? :D :D

    Beijinho grande *

    http://agatadesaltosaltos.blogspot.pt/

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    1. Às vezes é preciso mandar estas porcarias cá para fora. É tão fácil ter uma autoestima baixa que para mudar isso temos de ter um post-it no frigorífico, frases manhosas no instagram e alguém capaz de perder tempo todos os dias a bajular-nos. É preciso parar, olhar para trás (ver o que conquistámos) e olhar para a frente (encarar o toiro e fazer-lhe frente!). Sem medos.
      Passamos a vida inteira a comparar-nos, sempre por baixo, a outras pessoas. Será que não há ninguém a comparar-se connosco? Será que não há ninguém a querer ser como nós?
      Uma beijoca grande, coisa-mai-linda!

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  3. Ler este texto deu-me voltas à barriga, de tão verdadeiro que é... Já te disseram que escreves maravilhosamente? Que dom! Parabéns :)
    Este texto podia estar em qualquer revista conceituada, adorei mesmo! E tens toda a razão no que escreveste. Temos mesmo que aprender a gostar de nós pelo que somos, e parar de tentar agradar os outros.
    És uma inspiração, Maria Daniela! Parabéns e um beijinho grande*

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    1. Fico tão contente quando elogiam a minha forma de escrever que fico com os dentinhos todos à mostra :P
      É fácil escrever para mulheres. Temos tantas inseguranças e tantos medos que por vezes viramos as costas à nossa enooorme lista de qualidades. É preciso gostar deste monte de ossos que habitamos e tentar ser todos os dias um bocadinho melhor! :D
      As tuas palavras são uma delícia. Muuuuito obrigada *

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