7 de junho de 2016

Cheguei tarde à tua vida.

Cheguei e tu já tinhas criado os teus medos todos, um a um. Já tratavas por tu todas as tuas capacidades e todas as tuas inseguranças. Sabias de cor até onde podias ir numa noitada sem perder o controlo e não era novidade nenhuma que já não tens idade para diretas. 
Sabias distinguir o sorriso de uma mulher que te quer de o de uma que quer que lhe pagues uma bebida. Já sabias comportar-te numa reunião de Direção e num arraial. Numa festa infantil e num funeral.
Cheguei e tu já sabias tão mais do que eu. Aprendeste a fingir simpatia e a preparar um powerpoint fortíssimo. Aprendeste a safar-te na cozinha e a falar no momento certo.
Aprendeste a amar e não esperaste por mim.
Quando eu cheguei só me esperava a sombra de alguém. Não pude fotografar os teus pés e os meus na areia, não pude dançar contigo na rua, não pude poupar durante meses para o teu presente de aniversário. Não pude imaginar o meu nome com o teu apelido nem como te irias dar bem com o meu pai. Há tantas coisas que não pude fazer contigo que todas elas me matam um bocadinho de cada vez que nos cruzamos. E de cada vez que, por 5 minutos, me fazes sentir a pessoa mais importante da tua vida. Depois vais embora.
Não consigo...

Cheguei tarde demais à tua vida. E agora não quero saber da minha.

Daniela.

2 comentários:

  1. Oh... um beijinho e um abraço apertado, querida. (Não me conheces e não te conheço, mas também eu já estive nesse lugar)

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