15 de junho de 2016

Eu e o meu quase-super-poder



Estão a ver o Obélix? Eu sou o Obélix na minha cabeça.  Bem, do príncipio.
O meu ex namorado, sempre que precisava de levantar alguma coisa pesadona ou de fazer algum esforço na vida, dizia que tinha de vestir as cuecas roxas. Eu acho que nasci com as cuecas roxas.
A capa comprei depois a prestações em 64 vezes sem juros. Eu e o Obélix partilhamos o destino de ter "quase-herói" escrito na testa (ou na pança alegremente mole que envergamos).

Os dilemas dos outros já me preocupavam ainda eu tinha dentes de leite e franja nos olhos a desafiar uma futura vestigue (Deus foi amigo...). Não atafulhava os ouvidos dos meus pais com tralha do meu dia-a-dia porque me parecia estupidamente óbvio que o deles tinha sido muito mais hardcore. Não, não sabia o que era "hardcore". Não, não achava que nada poderia ser pior do que perder ao berlinde.
No entanto, e numa de "se não atrapalhar já ajudo", fui acompanhando mais as coisinhas deles do que eles as minhas. A minha mãe soube que fui vítima de bullying dos 6 aos 12 anos quando eu já ia lançada nos vintes. Qualquer dia conto-lhe que parti um dente da frente no balneário da escola no 5º ano. Para já, ela ainda não está preparada.


Tudo muito bem, Maria Daniela é óptima pessoa, cheia de valorinhos e coisas que hoje em dia valem tanto quanto esse cão que abana a cabeça que a vossa avó vos ofereceu 1997, até que se lembra de passar a intervir no mal estar dos outros. Coitada.

Uma espécie de Justiceira a quem só faltava o KITT (isto não é do vosso tempo, pois não? Nem do meu.). Se o meu kit fosse um cérebro que trouxesse noção incluída já estaria bom mas a gente vai-se governando com aquilo que Deus dá à gente. 
Protegi amigas de outras pessoas que não lhes queriam bem, alertei pessoal que tinha umas hastes dignas de arranhar o tecto do Convento de Mafra, dei uma lição ao engatatão da escola e esperei que ele aprendesse que não teria todas as miúdas que quisesse.
Enfim, as minhas cuecas roxas de super heroína andam sempre comigo. Semprezinho!
Agora desse lado estão vocês a perguntar: E alguma vez te lixaste com isso?, que eu só tenho leitoras fortíssimas no raciocínio.
Se me lixei? Ora Sempre! 100% das vezes. Numa proporção de 1 para 1. All the time. Nunca falhou.
É como espetar-me com a minha scooter sempre na mesma parede de betão, recuperar das 7 costelas partidas, apanhar o olho de vidro do chão e voltar a colocá-lo, ajustar a perna de pau e ganhar balanço outra vez. Vivo nisto e ao que parece vivo bem já que não largo o osso.

Fico sempre mal na fotografia. Nessa e nas outras todas, rais'partam a minha vida que sou tão fotogénica como uma osga na parede. Maria Daniela é a má, a ciumenta, a ressabiada, a invejosa, a mal ... amada, a que não teve mimo dos pais, a que é algo como um aborto mal feito mas pior. É com cada chapadão nas trombas, mesmo que verbal, que uma pessoa fica benzidinha para o resto do dia. Só que logo a seguir volta vestir a cuequinha poderosa e siga caminho que há mais gente para salvar.

Eu até gostava de me estar mais nas tintas para os problemas dos meus próximos mas há uma cena que se me chega com uma forçaria, que me revira os olhos e me faz acreditar que posso salvar aquela pobre alma do sofrimento. Geralmente não posso, a pobre alma até curte ser espancada pela vida uma e outra vez. Várias vezes a "vida" chama-se Cajó e tem um carro rebaixado mas isso agora não vem ao caso. 

Tudo isto para dizer: não usem as cuecas roxas. Estão super out este verão.



MariaDaniela

2 comentários:

  1. Sabes o que também é fixe (sqn)? Quando te esfolas a tentar ajudar as pessoas em mais do que uma ocasião e depois quando precisas te mandam dar uma volta... Sou uma estúpida, pá. Também não aprendo.

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    1. Aquele sentimento maravilhoso que é poder ajudar alguém, certo? O pessoal já não quer saber.
      Vai anotando num papelinho no frigorífico! Os outros nem sempre merecem o nosso apoio. Palavra de cuecas roxas.

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