8 de julho de 2016

Digam adeus ao gordo, se faz favor!


Sempre fui gaja dada a paixonetas. Mas daquelas bem assolapadas em que se acorda a pensar na pessoa, se almoça a pensar na pessoa, se esfregam as loiças da casa de banho a pensar na pessoa. Em fases mais graves da vida, até se estuda/trabalha a pensar na pessoa. Aí percebemos que não temos futuro mas olha, pelo menos a pessoa sorriu-nos quando se cruzou connosco no corredor em 1983.

Olhando para o passado com as bochechas ligeiramente rosadas de vergonha, percebo que sempre tive paletes de amor para dar. Ou pelo menos parecia! Havia sempre uma pobre vítima que eu detinha debaixo de olho por meses e meses e que me deixava num caquinho quando arranjava uma vadia para namorar. Desgraçadão! 
Não sei se ia calhando ou se tinha alguma doença em que para além da extraordinária produção de sebo, também produzia azeite em quantidades industriais. Azeite, amor, sintam-se em casa, chamem-lhe o que vos apetecer. 

 As décadas foram passando e eu sempre forte na pinderiquice até que há dias... Puff!!! Desapareceu aquele gordo careca de tutu e meias brancas que se sentava às minhas cavalitas (é, isto é a minha imagem de uma pessoa solteira apaixonada). Bom, se calhar não se limitou a largar aqui o burro de carga, se calhar foi saindo de mansinho como quem me roubou o saquinho de dignidade e não quer ser catado. A verdade é que um dia levantei o couro do colchão e o primeiro pensamento foi que o dia estava uma bosta! Não foram os lindos olhos verdes do Júlio Sandro ou o sorriso lindo dele que se olharmos de esguelha nem percebemos que partiu um dente da frente ao meio. 

Aí entrei num ligeiro pânico quase razoável. Toda a vida tinha vivido (ah uma redundância cheia de classe!) a achar que os póneis e as flores cheirosas só entravam nos sonhos dos coraçõezinhos atrofiados apaixonados. Que se não seguisse a vida de um ranhoso qualquer nas redes sociais ao nível de decorar descrições de fotos e saber quantas porcas tinham dado o seu galdério like talvez me tornasse numa amargurada que só encontra consolo em gelado, pizza e felinos domésticos. 

Vai daí e it was all a bunch of lies!!! Vejam só quem é que também sabe falar estrangeiro. 
Mas é isso. Não se dorme pior quando não se está embeiçado, o mundo não se vira todo contra a gente. Eu continuo a fazer a minha pocinha de baba todas as noites (tirem essas caras de nojo que vocês também fazem a vossa só que não sabem!!!) e continuo a não conseguir bronzear as canelas tal como antes. Não tenho borboletas no estômago mas elas talvez não aguentassem as quantidades massivas de comida que eu para lá enfio portanto não vamos dramatizar. 

Tenho sempre um lugar vago no meu sofázinho da sala mas enquanto não aparece o meu labregote-metade eu estico-me, refastelo-me e vejo O Preço Certo descansada na vida. Aparece mas não tenhas pressa, moço. Pára num café, come a tua sande de presunto, bebe a tua mine. Nas calmas, hum? O que é preciso é ter saúde. 

Nota: aqui no blog vamos passar a abordar ("vamos"! estou mesmo a levar isto a sério) temas sob um ponto de vista que pode não ser o meu, ok? É uma espécie de Fernando Pessoa e os seus heterónimos, já que eu sinto a necessidade de escrever de outras formas, de desconstruir temas, de os abordar de um ponto de vista mais conservador ou simplesmente mais parvo, enfim vocês vão ver. Queria arranjar um nome para assinar esses textos para que se diferenciem totalmente daqueles que são a minha opinião mas ainda não me ocorre nada. Quem tiver sugestões que as atire aqui para a caixinha de baixo! Agradecida!


8 comentários:

  1. Jesus Christ! Revi-me muito neste texto, e isto é muito relevante porque nunca conheci outra pessoa dada a estas paixonetas. Pois que eu também sou assim, não estou constantemente embeiçada por alguém mas acontece-me algumas vezes ter dessas paixões platónicas. Duas vezes, por professores, no ensino secundário e na universidade. E olha, acho que sou mais alegre quando estou nesse estado que numa relação a sério, já que as primeiras permitem os suspiros e o coração acelerado e o idealizar da pessoa sem os mil problemas de uma relação.

    (E depois cheguei ao fim do texto e fiquei em dúvida se estarias ou não a falar de ti, que onze da manhã é muito cedo e eu sou um bocado lerda).

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    1. Estar apaixonada é a coisa mais engraçada! E partilhamos também a paixoneta por professores. Andamos mais felizes mas também passamos por stresses parvos, por desgostos absolutamente devastadores,...
      Falo de mim mas com aquele exagero labrego que já tens visto por aqui. O último parágrafo (antes da nota) é inteiramente "eu".

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    2. Olha, eu por acaso nunca sofri um desgosto com uma paixoneta platónica. É mesmo tudo unicórnios e borboletas, e a coisa morre naturalmente. Desgostos passo-os nas relações, isso é que é um drama!

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    3. Eu faleço de desgosto em paixonetas depois fico muito medrosa de relações. Pensar que posso passar por esse drama quando já estou tão embrenhada na outra pessoa aflige-me!

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  2. Eu sinceramente não sei como é que esta pessoa (tu, leia-se) não é conhecida nacionalmente pelo sentido de humor e piada que tem no que escreve. Não sei se é por teres um humor muito parecido com o meu que acho isto não é? É que há pessoas que tentam ter piada mas tu não precisas porque és mesmo assim!
    Vá, eu sei que ando extra simpática esta semana, mas não te habitues que volta tudo ao normal na próxima está bem? E agora, vai lá ver o preço certo que eu vou tentar tirar a imagem que tu me colocaste na cabeça de uma Ambrósia a babar-se!!

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    1. Se eu me tornasse muito lida depois virada uma Diva do pior! Ficava insuportável e essas coisas todas! Reconheces o estilo? ahah
      Eu um dia pergunto ao adolescente se tu não te babas também que nem um pónei constipado! Depois olha, toda a gente vai ficar a saber!!!

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