25 de julho de 2016

Medo de dentista?! Concordo e apoio!!!


pinterest.com

Se são moças dadas ao masoquismo e costumam passar os olhinhos pelo que eu escrevo, saberão que enveredei (sem retorno!) pelo caminho da correção estética das minhas favolas.
E isto levanta aqui um tema que urge ser abordado da forma mais séria e fidedigna, sem o mínimo exagero, que é o medo de dentistas.
Ora como vêem no título, Maria Daniela apoia o medo de dentistas!
Sim senhora. Este Homo mais-ou-menos Sapiens pouco evoluído sempre ignorou histórias terroríficas de dentistas que levavam o povo (pacientes, como gostam de nos chamar!) ao desespero, a olhar para o falecimento espontâneo como uma alternativa feliz. Até que.... 
Não é? Temos sempre uma história que começa alegre e vivaça mas que a certa altura lhe enfiamos o "até que". Este é o meu.


Sempre fui feliz com aspiradores e ganchorras na boca, até que... Vivi o primeiro momento levem-me-já-que-eu-não-fui-talhada-para-isto. 
Dr. Miguel, rapaz simpático e amante da profissão (não "amante de profissão". Porra, cambada de badalhocas!), escava-me serenamente uma cárie até eu descubro aquela que deve ser a dor mais dolorosa do mundo. A parte boa é que aquilo de Verão pode ser bem aproveitado: um arrepio gelado que começa no filhadaputa do dente, percorre a cabeça e descansa no dedão do pé, paralisando metade do corpo em gelo. Foi como se em vez da broca, estivesse ali a morte a palitar-me os dentes com a sua foice. 
Foi a primeira vez que pensei "Querem lá ver que isto de vir ao dentista pode não ser assim tão divertido?!". 
Foi este o meu momento epifania. Que os dentistas são gente sádica que nos leva a ver a luz ao fundo do túnel, que nos deixa ver o nosso primeiro cão que morreu quando ainda éramos infantes, que deixa a avó nos acenar com uma notinha de 20 euros, benza-a Deus, e quando está um anjinho a pegar-nos pelo cachaço para nos levar para o descanso eterno, eles aliviam a broca. "Não, borrego de uma figa, não penses que te safas! Ainda temos agendadas mais 79 sessões iguais a esta!", conseguimos ler nós nos olhos diabólicos deles. 

Mais recentemente, extração de sisos. Dois em simultâneo, que eu não estou aqui para mariquices. Entalo o orgulho entre o elástico das cuecas e a pele e peço ao Dr. Joel que me dê a anestesia com carinho. Obviamente que para ele "carinho" significa outra coisa. Estes regionalismos... 
Crava-me seringadas na boca e, sem um pingo de alentejanice no corpo, começa a escavar. Primeiro siso fora. Nem demorou 5 minutos. "Esta m*rda vai ser canja!", pensa a criança de 7 anos que habita dentro de mim. Pobrezinha. 
O outro era um gajo mais acanhado e podemos dizer que deu mais trabalho. Não. Que se lixe, vamos dizer a verdade. Foi mais de meia hora de intenso prazer para eles. Sim, já tinha dois dentistas e uma auxiliar clínica a escarafunchar enquanto eu ia orientando o aspirador na minha própria bocarra. Como me estão sempre a elogiar a amplitude da boca, acharam que cabiam aqui os 3. Isto foi gente que chumbou a matemática, já que a ferida do canto da boca foi um extra que eu trouxe para casa sem pedir. Adoro brindes. 
Começa a cheirar-me a porco queimado e o primeiro pensamento que me ocorre é que vou passar a tarde a fazer enchidos. Depois tirei a massa cinzenta da hibernação e lá entendi que aquele cheiro vinha da minha boca. Foi aí que comecei a vislumbrar uma recuperação um bocadinho mais hardcore do que aquela para que me tinha mentalizado. 
"Estas podem ser as minhas últimas palavras... Foste uma boa mãe." Digo eu sem ponta de dramatismo quando a minha fêmea alfa me liga. Passaram 10 dias e eu já embuchei mais compridos para as dores do que as velhas do programa do Goucha mamaram Calcitrins. É viver um dia de cada vez e esperar que daqui a tempos o estômago rebentado por químicos doa menos do que esta boquinha santa. 

Já que estão aí sentadas, atentem nos conselhos que esta vossa velha amiga vos oferece. Tratem o vosso dentista como a ex namorada do vosso atual. Desconfiem de tudo o que ele diz, tenham muito medo daqueles sorrisinhos que parecem sinceros mas são movidos a pensamentos satânicos e nunca olhem para a mesa de acessórios. Vai apetecer-vos falecer e ainda é cedo. Ainda terão muitas cáries para tratar. Agora larguem-me os amendoins e vão à vossa vida. Vá... 


A taberneira cá do sítio.

2 comentários:

  1. Pois, se calhar tens de trocar de dentista. Olha que eu já fiz correção ortodontica duas vezes (a primeira vez fiz só no maxilar superior, deixei de usar contenção (culpa do ortodentista que não me disse que tinha de usar aquilo para a vida) e os meninos voltaram a entortar e depois fiz correção em ambos os maxilares), tirei um dente para o qual não tinha espaço e já com o aparelho colocado, mais dois do siso, tratei todas a caries e mais algumas antes de colocar o aparelho e nunca senti dor. A única coisa que senti foi a picada da anestesia. A recuperação depois dos dentes do siso também não foi demoníaca, sentia impressão, mas só mesmo porque tinha sangue na boca volta e meia (há quem leve pontos, eu não). Nem pensar que andei 10 dias em sofrimento. Não te invejo a sorte, mulher!

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Bem, então eu explico-me. Eu nunca tive uma única dor no dentista. Aliás, os dois primeiros sisos que arranquei deram-me uma recuperação tão pacífica que não tomei um único comprimido para as dores (e levei pontos). Desta vez tive um dente mais complicado que, para tirar, foi necessário cortar osso. Não coloquei este tipo de detalhes no post porque achei que dado o tom de brincadeira, seria demasiado gráfico.
      Vou tentar fazer tudo certinho para que no futuro o meu sorriso esteja direitinho, tal como o teu deve estar agora! :)
      Reforço que este tipo de textos carregam exageros com fartura e brejeirice, como uma hipérbole da realidade. Daí que não assino com o meu nome.
      Obrigada por estares desse lado. Um beijinho.

      Eliminar