16 de agosto de 2016

Três dias.



Há anos vi um episódio de uma série ou um filme (alguma dessas cenas em que as pessoas são cool e falam estrangeiro) em que se discutia o tempo que o nosso cérebro demora a adaptar-se à mudança.
Na história, dava-se o exemplo de o mundo ficar às escuras ou de pernas para o ar (metaforicamente) mas acho que não é preciso fantasiar muito para que nos lembremos de uma ou outra vez em que estivemos perdidas perante um mundo que girou depressa demais.
O desaparecimento de uma pessoa do nosso círculo, a perda de uma oportunidade para a qual se deu o litro e o resto, o fim de um percurso. 
Os personagens diziam com confiança que 3 dias seriam o necessário para que mente e corpo se adaptassem ao que mudou. 3 dias. Não sei se aquele número tinha alguma base científica mas a verdade é que nunca mais o perdi da memória. 
Três dias parece-me estupidamente pouco para encarar o drástico, o repentino e o imprevisível. Ninguém faz um luto em três dias. Mas aceita. 

Admito-me obcecada por fechar gavetas. Então, na possibilidade de um assunto dispersar e contaminar todas as outras divisões, mastigo tudo tão bem que praticamente não penso noutra coisa. São momentos de pouca sanidade, coca-cola e sofá. No entanto, arrumados todos os sentimentos, desfeito o possível ódio ou raiva, é incrível olhar para dentro e só ter clareza. As ideias claras, fixas e ponderadas.
Precisei de adaptar-me à mudança agora. E, por mais incrível que pareça, só precisei dos três dias. Eles tinham razão, mesmo que o tenham dito do guião para fora. 

MariaDaniela

1 comentário:

  1. Sou igualmente obcecada por fechar gavetas, enquanto isso não acontece, não consigo encontrar paz! Não goste de marinar as coisas ...

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