3 de agosto de 2016

O dia em que acharam que eu queria saber

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Faz-me comichão no céu da boca de cada vez que alguém pensa que eu lhe mandei uma indireta.
Sim, o tema de reflexão de hoje é sobre indiretas. Abram todos o manual na página 37. 

Então é o seguinte, esta vossa companhia nos dias de luta, dias de glória é péssima a ocultar verdades. Aliás, a ouvir a rapaziada desfiar conversa, e mesmo sem meter o bedelho, a minha rica carinha de boneca um bocado estragada da vida denuncia-me logo. São capazes de perceber a minha opinião pela sobrancelha levantada, pelo sorriso malandro ou pelos olhos arregalados. E não consigo fugir a isto. Nem para esconder a verdade da cara eu tenho capacidades, eu sinceramente não sei o que é que vocês ainda aí fazem desse lado... Moças, isto não dá para mais. Nem para fingir!



Por isso, mais vale meter as fichas todas na mesa, enfiar dois copos de medronho de qualidade questionável no bucho e deixar que a minha opinião, qual Nelson Mandela, traga uma nova harmonia ao mundo e que todos os dias se tornem mais bonitos. Falho sempre. Normalmente dá uma asneira descomunal. Quem disse que a sinceridade era uma virtude bebeu do mesmo medronho que eu, de certezinha.
Mas adiante que andamos aqui a dançar o fandango sobre nada e eu quero chegar ao Ponto V da questão: o ponto vejam-bem-estes-dramas-da-treta. 

Uma prima minha, ser vivo de grande porte, feitio afável e educado, achou que eu lhe mandei bocas por ela ser gorda. Pronto, é isto. Obrigada e bom dia.
Vou ter de me repetir. Este foi o dia em que acharam que eu queria saber. Eu quero lá saber se a ave rara é atlética ou se arrasta as nádegas pelo chão entre o frigorífico e o forno da cozinha. Só me ralava um pedacinho que ela estivesse contente da vida, porque tinha uma coisa manhosa presa nas costelas que o Zé Luís camionista costuma chamar "afecto".Tinha afecto por ela. Agora olha, já não tenho. Isso do afecto foi dar um giro e se calhar perdeu-se no caminho. Grande chatice.
Gostava da onda da miudita e sendo parentesca ainda se criou aqui uma simpatiazinha, agora se por eu dizer que não ia enfardar favas com chouriço ao almoço e feijão com arroz e chispe ao jantar porque não posso engordar ela sentiu que o "eu" era "tu, meu bisonte aleijado" é com ela. 
Se uma jovem de 50 kg me disser que se sentia melhor com o próprio corpo se perdesse 2 eu não vou achar que é uma dica. Se for uma dica serve-lhe do mesmo. De zero.

Estas mariquices das indiretas não são para mim. Um gajo tem é que se sentir bem no seu saco de ossos e mesmo que alguém tenha um discurso de meia hora para fazer sobre o nosso aspecto, esse alguém que o enrole num canudinho apertado e o enfie... no bolso, que assim ocupa menos espaço no mundo. 
Eu não quero saber da vossa aparência. Algumas usarão óculos, outras terão sardas, poderá até haver desse lado alguma coxa. Estou-me nas tintas. O que me interessa é que vocês gostem de passar por aqui, de beber uma ginjinha e roer um tremoço na minha companhia enquanto falamos mal do Abílio Jorge que se acha o maior só porque tem um dente de ouro. 

Gostaram deste momentinho?! ... Não quero saber!
Caaalma que era alarvidade. Quero saber sim senhoras. Já são muitos posts juntas... Aqui na camaradagem. Vá, agora deslarguem-me... Uma pessoa não pode dar um dedo... Livra!

A taberneira aqui do sítio.

4 comentários:

  1. Então mas tens de contar como se desenvolveu o resto da conversa... do tipo, ela disse-te "estás a chamar-me gorda?" e tu "eu não, sua cachalotezinha". lol

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    1. Estás a ver, tiras-me a piada a tudo. A parte deprimente é que nem sequer houve essa conversa. Ela esteve comigo uns dias, depois voltou para casa dela e passou a ignorar-me. Passados largos meses, o namorado dela é que disse à minha mãe que eu lhe tinha chamado gorda. LOL O enleio que isto foi ainda tornou tudo mais ridículo.
      Eu sei que pareço muito besta mas passei a vida a ouvir o povo chamar-me gorda. Nunca seria capaz de fazer o mesmo. A sério. O pessoal tem é que se sentir bem, eu não sou ninguém para mandar outra pessoa perder ou ganhar peso. Cada um na sua luta :)

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    2. Sim, Daniela Maria. Eu sei que não serias capaz de ser assim tão indelicada. Só tentei entrar na brincadeira. Tu própria tens as tuas inseguranças, percebes bem o que isso é e pareces-me pessoa de nunca esfregar as inseguranças dos outros nas suas caras. Deixa isso para lá...

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    3. Sou um cocózinho. Pelo primeiro comentário pensei que podias não estar assim tanto na brincadeira :P
      Bom, e é Maria Daniela! ahah Pelo menos por aqui. O calor baralha as pessoas!
      Um beijinho. Sabe bem quando me vão começando a conhecer os preceitos :)

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