5 de outubro de 2016

Faz-se assim porque sempre se fez assim...


Vocês sabem que eu ando sempre arreliada. Vivo sempre nas tormentas de quaise tudo me fazer confusão. Se calhar ando a sair pouco de casa.
Depois isto é coisa que já se me nasceu cá dentro. Passei a juventude com o chocolate de leite e o "Porquê?" na boca. Quando fui tirar a carta de condução, numa aula perguntei o motivo de uma certa regra e foi-me dada a resposta com a qualidade de um pão de 4 dias: É assim porque é. Fiquei capaz de o picar e fazer chouriças com aquela xixa tão pouco sabida. Livra!

Vi-me a crescer numa quintinha mal amanhada com muros bem altos feitos de sempre-se-fez-assim. E vocês não estejam armadas em modernaças que por mais assoalhadas que a vossa moradia tenha, as paredes do quintal mal deixam ver o que há do outro lado. Tal como o meu. 
Quem pede em namoro é o rapaz, quem deve ganhar o melhor ordenado também deve ser ele ou vai acabar por sentir-se frustrado. Só podes comer um belo de um hambúrguer cheio de molhos e doenças várias a partir do meio dia e a sobremesa nunca antes da sopa. Deves calçar sempre duas meias iguais e alguém decidiu que umas cores não combinam com outras. Raios parta!
E porque é que eu nunca tive nada a dizer sobre isto? Quem diz eu, diz a Cátia Palhinha ou o Carlos Costa. Vocês estejam caladas que se eu não tivesse escarrapachado o assunto em cima da mesa vocês nunca tinham dado pelo passar do padeiro. Cambada... 
É assunto que me cansa a beleza (que já acendeu a luz de reserva há dias) pensar em toda esta tralha que nos meteram no colo numa de passa-a-outro-e-não-ao-mesmo. 
Eu quero poder namoriscar um moço da minha altura e que ninguém fique a pensar que eu lhe bato, tenho o sonho de poder falar com os Senhores Doutores sem correr mentalmente o meu dicionário de palavras caras para parecer mais inteligente e hei-de ser feliz na minha totalidade quando for aceitável comer quase tudo com colher. 
"Devias pensar menos no que os outros pensam", estão vocês aí a murmurar que eu sei, suas gaiteiras. E como gaiteiras YOLO que são acham que o que importa é o momento, não se atrevem a sair da bolhinha do iogurte famoso (o actimel pá!) para entender que ouvir uma boca uma vez passa, ouvir dez aprendemos a lidar, ouvir a vida inteira cansa. 
Somos todos muito para a frente mas a mentalidade ainda está muito lá atrás. Lá atrás, junto à dos nossos pais, dos nossos avós. Porque já nesse tempo se fazia assim. 

A taberneira (especialmente rabugenta hoje) cá do sítio.

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