Tinha ameaçado no post anterior que tinha assunto com fartura para dedilhar aqui.
Este em especial é aquela entrada a pés juntos pra ficar com a marca do pitón 15 dias na canela.
Refastelem-se, a garrafa de cachaça está no balcão, sirvam-se à medida que se forem identificando com esta conversinha enleada de taberna.

Confesso que me causa um nervosinho que existam desse lado jovens plenos de vida que se lembrem de conversas antigas e que, por motivos muita duvidosos, continuam aqui a querer saber da taberneira mais maldizente da temporada.
Bora abordar isto de uma forma levezinha? Bora sim senhor!
Pois que dizem que há dois tipos de gente: os que vêem o copo meio cheio e os que vêem o copo vazio e garantem que aquela risquinha da água é ilusão derivado às cataratas nas vistas!
Há quem passe por merdas que não lembra a Belzebu e se mantenha na mó de cima, inabalável qual C'stiano Ronaldo, há quem se vá abaixo com muito lixo a acontecer e quem se vá abaixo com um grão de areia no sapato.
Esta conversa toda começa porque eu me inseri na terceira categoria.
Curto e grosso: tive uma relação que durou 3 semanas. Aos 25 anos.
Foi completamente diferente de todá merda até aí ocorrida e, por ai, julguei que estava na vereda certa. Vai que não. As incompatibilidades eram gritantes e aquilo não tinha nem pernas de ratito para andar. Portantos acabou por iniciativa unilateral. Ai que estou toda endoutorada hoje!
O sujeito decidiu, estava decidido... Aí, esta moça desceu em queda livre até ao piso 0 e dali ao fundo do poço foi um tirinho. Atribui-lhe todas as frustrações do mundo!
Como é que era possível agora?! Tanto eu como vocês acreditamos que hoje somos uma melhor versão de nós do que há 2, 5, 10 anos. Certo? Então se hoje limpo o pó da prateleira dos licores com mais jeitinho, se me aprumo para os fregueses, se aprendi a servir boa aguardente, porquê agora?!
Se eu antes não era rejeitada e era uma versão menos aprimorada de mim mesma, então porque o sou agora? A resposta tornou-se óbvia: Eu não sou (claramente!) suficiente.
Acordei vários dias com as lágrimas nos olhos e alternei-as com enjoos brutais. Entre a vontade de vomitar e a de desaparecer daqui, passei pelo menos 2 meses em agonia.
A ter a certeza que não merecia grande coisa da vida. E a prova estava dada. Esfregada na minha cara!
Um dia houve um estalar de dedos. Uma amiga (que não sei se estará a ler isto) disse-me algo deste género: O teu cérebro está a fazer-te acreditar que tudo na tua vida é uma merda. Mas é mentira. Ela não terá noção de que foi isto que me mudou. Deve tê-lo escrito enquanto tirava macacos do nariz ou esperava pela camioneta da carreira mas APENAS virou tudo dali para a frente!
Quando voltei a olhar pra cima, escrevi este post. Tinha saído do buraco! Ter alguém que nos ouça é meia vida. Acho que lhe devo minis e tremoços de graça até que já não tenha dentes para os descascar!
Por isso, por todos os vossos casos bem diferentes ou bem semelhantes ao meu, acreditem que a vossa taberneira vos entende. Manter a sanidade é mais desafiante do que recuperar os leitores perdidos (ahah momento coitadinha!) e espero meeeesmo que todas as vossas excursões ao estado miserável de autoestima grau 0 tenham sido superadas. Não merecemos que uma pessoa ou um acontecimento nos façam questionar o nosso valor. Vá, de valor era agora um comentário ali em baixo. Sei que este assunto vos é próximo. Contem tudo a esta amiga que promete que não sai daqui! ahah
A taberneira cá do sítio.
Identifico-me, muito! Mas a minha situação é um pouco diferente pois é uma relação de 4 anos que está morta mas ainda não terminou pois de cada vez que tento acabar ele me faz sentir a pior pessoa do mundo e diz mesmo "és horrível". Faz-me pensar que sou culpada de tudo de mau que estamos a passar mesmo sabendo que não o sou pois se algo está mal é culpa dos dois mas isto mexe tanto com o meu psicológico que não sei o que fazer nem o que pensar na maior parte das vezes. Beijinhos*
ResponderEliminarSe és assim tão horrível talvez ele não mereça fazer o enorme sacrifício de continuar contigo, não é? Massacra-te mas não te deixa ir. Que homenzinho.
ResponderEliminarSabes quando sentimos que não vai haver mais ninguém que nos faça sentir a flutuar de amor? Vai vai. Confia! (se te apetecer conversar com uma desconhecida, tens ali o meu email! sou toda ouvidos!)
Uma grande beijoca