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21 de junho de 2016

A melhor terapia


Há pouco que me satisfaça tanto como a praia. 
Despir a farda do dia-a-dia, deixar os quilos de maquilhagem na gaveta, pegar em fruta e água e seguir caminho.
Hoje disponho-me muito mais a fazer quilómetros de estrada na busca do areal perfeito do que antes.
Antes, o primeiro canto de areia e mar que me estivesse à mão servia, hoje prefiro pequenos paraísos.
Porque aqui desligo mesmo. Sabe-me muito bem ficar só a ouvir o ruído da água e de pouco mais.
É a minha melhor terapia de todas. Esqueci as drenagens linfáticas, as pressoterapias e só largo esta delícia quando a chuva voltar. 
Espero que este verão seja aquilo que merecemos e sei que nesta praia se hão-de escrever muitas histórias. 

MariaDaniela

15 de junho de 2016

Eu e o meu quase-super-poder



Estão a ver o Obélix? Eu sou o Obélix na minha cabeça.  Bem, do príncipio.
O meu ex namorado, sempre que precisava de levantar alguma coisa pesadona ou de fazer algum esforço na vida, dizia que tinha de vestir as cuecas roxas. Eu acho que nasci com as cuecas roxas.
A capa comprei depois a prestações em 64 vezes sem juros. Eu e o Obélix partilhamos o destino de ter "quase-herói" escrito na testa (ou na pança alegremente mole que envergamos).

Os dilemas dos outros já me preocupavam ainda eu tinha dentes de leite e franja nos olhos a desafiar uma futura vestigue (Deus foi amigo...). Não atafulhava os ouvidos dos meus pais com tralha do meu dia-a-dia porque me parecia estupidamente óbvio que o deles tinha sido muito mais hardcore. Não, não sabia o que era "hardcore". Não, não achava que nada poderia ser pior do que perder ao berlinde.
No entanto, e numa de "se não atrapalhar já ajudo", fui acompanhando mais as coisinhas deles do que eles as minhas. A minha mãe soube que fui vítima de bullying dos 6 aos 12 anos quando eu já ia lançada nos vintes. Qualquer dia conto-lhe que parti um dente da frente no balneário da escola no 5º ano. Para já, ela ainda não está preparada.

7 de junho de 2016

Cheguei tarde à tua vida.

Cheguei e tu já tinhas criado os teus medos todos, um a um. Já tratavas por tu todas as tuas capacidades e todas as tuas inseguranças. Sabias de cor até onde podias ir numa noitada sem perder o controlo e não era novidade nenhuma que já não tens idade para diretas. 
Sabias distinguir o sorriso de uma mulher que te quer de o de uma que quer que lhe pagues uma bebida. Já sabias comportar-te numa reunião de Direção e num arraial. Numa festa infantil e num funeral.
Cheguei e tu já sabias tão mais do que eu. Aprendeste a fingir simpatia e a preparar um powerpoint fortíssimo. Aprendeste a safar-te na cozinha e a falar no momento certo.
Aprendeste a amar e não esperaste por mim.
Quando eu cheguei só me esperava a sombra de alguém. Não pude fotografar os teus pés e os meus na areia, não pude dançar contigo na rua, não pude poupar durante meses para o teu presente de aniversário. Não pude imaginar o meu nome com o teu apelido nem como te irias dar bem com o meu pai. Há tantas coisas que não pude fazer contigo que todas elas me matam um bocadinho de cada vez que nos cruzamos. E de cada vez que, por 5 minutos, me fazes sentir a pessoa mais importante da tua vida. Depois vais embora.
Não consigo...

Cheguei tarde demais à tua vida. E agora não quero saber da minha.

Daniela.

2 de junho de 2016

Ai que fomos todos Charlie durante uns dias!




Somos uma cambada de idiotas. Acho que é ponto assente. Um bando de seres superiores com uma costelinha (ou o lado esquerdo do corpo) de Hitler que pode julgar tudo o que não percebe e tudo o que não gosta. Como nunca vimos Deus então achamos que possivelmente somos nós. É como dizia a minha trisavó «Não estou a dizer que sou a Mulher Maravilha, mas nunca me viram fechada numa sala com ela.»
Somos moralmente superiores essencialmente na internet. Andamos a vaguear tipo porcos da índia sorrateiros e mal dão por nós estamos a protagonizar a cena de um elefante cego e coxo numa lojinha de cristais. Partimos tudo com a nossa tromba de integridade e valores. Não.

23 de maio de 2016

Open Minded

Tal como muitas de vocês que estão desse lado, sou extremamente criteriosa em quase tudo na vida. Acho que muitas vezes, sem dar conta, abuso nos critérios ao ponto de criar preconceitos. O fim de semana passado provou-me exatamente isso.
Fui exposta a um ambiente que não me é familiar, rodeada de centenas de pessoas que não conhecia e que, nesta cabecinha pensadora, tinha tudo para correr mal. 
Acabei por passar grande parte do tempo com uma rapariga da minha idade que não tem rigorosamente nada que a assemelhe a mim e a única questão é que correu tudo tão bem que ainda me custa a acreditar que não estive sempre a olhar para o relógio. 
Se a tivesse conhecido noutro contexto muito possivelmente teria "descartado" logo a possibilidade de nos darmos, mas ao estar desprotegida a coisa fluiu de forma muito natural. 
E é isso que me tem dado que pensar. Que preciso muito de abrir os olhos e a cabeça. Já me formatei demasiado para conhecer pessoas com interesses semelhantes aos meus, com postura e sonhos que andam ali no de dedinhos entrelaçados com os meus. Agora que dou uma vista de olhos, haverá coisa mais aborrecida?


20 de maio de 2016

# não somos todos fashion advisers

Não há como evitar a moda e as tendências. Simplesmente não dá. 
Podemos estar a procurar peças para o carro, a ver a notícia do Zé da Horta que matou a prima, a avó e a ovelha porque não encontrava o par daquela meia, podemos estar só na paz do Senhor a curtir o vácuo que somos abalroados pelo camião "5 mega tendências desta estação", "Saiba como parecer super rica só com peças da Primark", "Saiba bué da coisas sobre moda". 

Portanto, dada tanta importância aos trapinhos em que nos enfiamos todos os dias, obviamente teriam de aparecer os experts, os entendidos, os watch and learn.
Há os que compram uns diplomas e frequentam aulas por forma a validar os conhecimentos que vendem a peso de ouro. Depois há os que sabem realmente do que falam, mas sobre esses não tem graça dizer umas alarvidades. 

Os fashion advisers querem por o mundo a vestir-se como deve ser e, se puder ser, querem por o mundo a contribuir para a sua conta bancária. Eu também queria, mas não tenho talento nenhum que possa vender. Sim, eu sei, nem eles.
Bem, vocês sabem que eu não tenho bom fundo portanto vão deixar-me particularizar a situação, certo?

16 de maio de 2016

Gostar de Bola é ridículo.



Gostar de futebol é ridículo. "Ser" de um clube, discutir táticas e contratações é ainda mais ridículo.
Ficar ofendido de cada vez que nos dizem que toda a gente do "nosso" clube devia falecer é o cúmulo do ridículo.
Só que no meio deste monte de coisas ridículas há sempre valores e lições a retirar cirurgicamente.
Em cada época (e esta última tem sido tão riquinha) há uma avalanche de lições de moral, de ética, de falta dela, de tudo o que o dinheiro compra e de amor à camisola.

Têm noção do quão ridículo é que se criem laços com jogadores que saem do "nosso" clube e ainda assim os apoiemos com o mesmo carinho? E que nos sintamos traídos com a saída do treinador para o clube rival?

Escrevo-vos este texto sábado, dia 14, sem saber como vai acabar. Tenho o coração nas mãos. 

11 de maio de 2016

Mãe, deixei as boas maneiras aí em casa!



Pois que esta boa amiga que vocês aqui fizeram passou por uma situação traumática que nem tão cedo apagará do seu tecido nervoso. (Não, o camadão de porrada que apanhei no hipermercado de que vos falei aqui nem se chega aos calcanhares disto que aí vem.)
Como é do conhecimento de vossas excelências, o país anda a viver sob ameaça de Semanas Académicas e outras com nomes diferentes mas que significam todas o mesmo terror: adolescentes mais bêbedos do que aquele frango velho que atafulhamos em cerveja para amaciar. 
Eu, que estou a viver uma experiência avassaladora mas que ainda me há-de valer um prémio literário, partilho casa com um estudante com vida social ativa. Já adivinham o que aí vem, certo?

9 de maio de 2016

Não te avisaram que ser Mulher era isto.

Não tenho nenhuma veia feminista mas achei que devia deixar aqui algumas considerações.
Ser mulher é maravilhoso, só que ainda tem muito que se lhe diga.

- Não te prepararam para os timings.
Ter uma carreira tão sólida como os teus glúteos (ginásio 4x por semana, sim?!), bem casada com um doutor ou engenheiro e um pequeno repolho antes dos 30. Vá, na loucura até aos 35. A partir dos 40 os sorrisos que te dirigirem já serão de alguma pena. 
Espera-se que sejas inteligente e não percas nenhum ano na escola, que estejas sempre no topo mas que a tua libido seja controlada. O que é que os teus vizinhos achariam se trocasses de namorado com a mesma facilidade com que lascas uma unha?!



4 de maio de 2016

Tudo o que falta dizer sobre viver no Algarve.

- Viver no Algarve é uma porcaria.

Viver no Algarve tem aquele encanto esquisito. Podemos começar pelas pessoas, que são elas que fazem os sítios. Já vivi em algumas cidades algarvias e conheço muitas mais de visita.
Nas cidades mais turísticas onde já vivi foi onde mais perdi a esperança na Humanidade. Aliás, posso dizer que a maior dose de porrada que levei na vida foi num hipermercado, em Portimão. Entre encontrões e pressão com o carrinho de compras, isto foi coisinha para não só me marcar a alma (com traumas profundos) mas também o corpinho (nódoas negras em todo o lado!). O bom humor e as boas maneiras são tantas vezes questionáveis que muitas vezes não sabia se as pessoas não sorriam por lhe faltar um dente da frente ou por acharem que a relé não merecia esse esforço da sua parte.
A juntar a esta gente de bem com o mundo chega aquele tipo de turista que tem a melhor filosofia do mundo: bajulem-me que eu estou a dar-vos do meu dinheiro. Sim, por cada compra no Pingo Doce, o Algarve pula e avança. Há mesmo um estudo que garante que por cada lasanha congelada que se compra no Continente, um algarvio enriquece. 
Não chegando o ar carrancudo dos residentes e a impaciência dos turistas, as autarquias contribuem para o amor à região da melhor forma que sabem. Fora a época balnear, certas cidades ficam entregues ao passar lento e assustador do tempo. Posso dizer-vos com alguma vergonha que um dos jardins centrais de uma cidade chega a ter "relva" da minha altura. Os percursos artificiais de água com repuxos e essas coisas giras viram uma aula de canalização gratuita. Se acham que Chernobyl é a mais assustadora cidade fantasma é porque nunca cá puseram os pés em Fevereiro.
No verão só apetece morrer quando as nossas estradas (de qualidade inquestionável, hum?!) estão entupidas de gente que se lembrou de ir para a praia toda ao mesmo tempo. Gente essa que buzina e barafusta com tanta convicção que terá mais probabilidade de ter um enfarte naquela tarde do que durante o trabalho. É o charme das férias no Algarve que tantas fotos gera no instagram e tantas histórias embaraçosas guarda para a posteridade. 

3 de maio de 2016

Porque este lugar é vosso.

De vez em quando fui ouvindo "dá um up ao blog!", "está muito sem graça, muda isto", "faz dieta ou usa uma burca". Ignorei a última e fui fazendo ouvidos de mercador às primeiras. Só que o que era um zumbido lá ao fundo passou a ser tão presente que não consegui deixar para lá mais tempo.
Eu própria tinha noção que o blog não estava bonito, não tinha a minha cara ou a cara que queria que vocês vissem. 
Então, agora que ainda me encontro a celebrar o 1º aniversário da página (eu festejo as coisas com calma, ok? isto é capaz de pegar com o natal, não sei...) e porque recebi mais um comentário delicioso que pedia a remodelação, não fui capaz de adiar mais. 

Fui falar com a Joana que aprendeu a lidar com um macaco para fazer este trabalho. Sacrifícios... O macaco, nestes assuntos, sou eu. Não percebo nadinha disto e preferi deixar-lhe a cargo praticamente todas as ideias e também todo o mérito. Só lhe pedi simplicidade.
Cheguei até ela com postura de mãos nos bolsos "faz-o-que-quiseres" mas acabei tão entusiasmada com o assunto que até quase sou capaz de dizer que tive um sentimento. O cubo de gelo teve um sentimento. Ou estou velha ou mudada. *rezando para que seja o peso da idade*

E é isto. Mudamos a aparência do blog mas agora nem tão cedo me venham pedir coisas. Fechei a loja. Talvez ponha uma florinha junto ao nome quando for avó e não digam que vão daqui. 

Vá e também não digam que imitei quem quer que seja. Há blogs a nascer, a morrer e a mudar todos os dias. Se há blogs com uma cara parecida à do meu é porque se calhar as autoras também são parecidas. Mas eu sou mais bonita, ok? Sempre a mais bonita! ahah

Se me dei a estas alterações é porque gosto muito de vos ter por cá. 

Espero que gostem tanto como eu. Mas gostem mais de mim, 'tá? Não queiram aqui uma cena de ciúmes... Não ia ser bonito.

MariaDaniela

29 de abril de 2016

É preciso desabafar sobre isto. #2

- O absurdo poder dos comentários sem fronha. 
Então é o seguinte. Que toda a gente já percebeu a importância dos blogs como fazedores de opinião é ponto assente, agora o que ninguém esperava é que aparecessem as blogettes! O que são blogettes?, perguntam as mais distraídas. Pois bem, as blogettes são as moças (com idades compreendidas entre os 6 e os 99 anos, idades mentais atenção) que são como as fãs do Tony Carreira mas o seu amor é nutrido por um blog. Nas blogettes cabe o amor e o ódio de um fanático por bola, o histerismo de uma fã da Ruth Marlene e a falta de argumentos do Jorge Jesus. JJ para o povo. 
Então, a vida de blogette é mais intensa do que se faria esperar. Elas defendem honradamente cof cof o seu objeto venerado e atacam os restantes que lhes fazem uma ligeira comichão na micose. Tudo o que seu ídolo faz é vanguardista, pelo que o que se assemelhar (ou que elas sintam que houve tentativa de) terá de levar o traço por cima. É a PIDE dos tempos modernos. 
Bom, a minha veia de blogette está a pulsar e eu vou ter de mandar tudo cá para fora. Oiçam bem.

 Eu já uso calças de cinta subida desde 2011. Cambada de pêgas, começaram todas a imitar-me.
 Eu já fiz um long bob e agora tenho o cabelo comprido. Cambada de pêgas invejosas que estão a imitar o meu long bob de há 2 anos e cambada de labregas que me estão a imitar agora.  

Pareceu ligeiramente ridículo, hum? Então, anónimos cujos tempos livres precisam de ser ocupados rapidamente, percebam que somos 7 biliões no mundo. O planeta não gira à volta do umbigo de ninguém e haverá sempre pessoas com gostos semelhantes, com as mesmas peças da Zara, com o mesmo gosto musical. Ultrapassem isso, a sério. 

Lição a reter: Gosto mais de vos responder quando me deixam um nome, ainda que fictício.

www.houstontexans.com

27 de abril de 2016

366 dias de Maria Daniela

Não posso dizer que passou a correr mas já desfilou sambando em salto agulha um ano desde que comecei a escrever aqui. 
Estreei este tasco de qualidade duvidosa numa altura animadota da vida deste belo espécime e foi um gozo atafulhar-vos com teorias mais ou menos retardadas. Se cá voltaram sempre de livre vontade isso faz de vocês pessoas com padrões muito baixos na vida! Havemos de falar disso, deixem-me só anotar. 

Sempre que entro aqui e clico na barrinha mágica para uma "Nova Mensagem" sinto-me como um taberneiro a dar conselhos a camionistas: falo, faço desenhos e dou exemplos muito credíveis mas a melhor ideia é que façam ouvidos moucos e ignorem. Não sei, era o que eu faria... 

Este ano foi talvez a fase de maior crescimento na minha vida. Deixei crescer o cabelo quase até ao rabo, saí e voltei ao Algarve qual motard que adora bom regabofe, apaixonei-me e aprendi a lidar com o "não dá", fiz muitos amigos e aprendi a ouvir o que eles dizem, dei e recebi mimo com fartura, apanhei sustos de morte e bebi medronho para acalmar o coração, perdi 3 kg e fiquei à espera que se notasse, bateram-me duas vezes no carro e fugiram mas também me lavaram o chão de casa sem avisar porque eu estava estoirada, acordei cedo muitos dias mas aproveitei as manhãs, as tardes e as noites (mentira, estive de lágrimas nos olhos o tempo todo!), superei as expectativas do chefe mesmo com meio quilo de corrector em cada olheira.

18 de abril de 2016

Ser a melhor amiga dos pais

Esta semana voltei ao texto corrido para primeira publicação. Não que os outros posts não tenham demasiada converseta mas vocês que passam por aqui sabem que há sempre espaço para um bocadinho de prosa sobre nada. 
Deixem-me só dizer que isto não passará de uma introspectiva parva, não tenham ilusões.

Fora a fase da adolescência em que tudo é uma seca dos diabos, acho que sempre me dei muito bem com os meus pais. Com o passar dos anos percebi que não haveria ninguém no mundo a aconselhar-me como eles, a querer o meu bem e a preparar-me para o mal. 
Desde que saí de casa para ir para a faculdade que os laços se estreitaram. A minha mãe é o meu maior apoio e a melhor ouvinte, o meu pai é o ponto de abrigo, a segurança. 
À sua maneira sempre fizeram tudo por mim, da mesma forma que me deram os "não's", os castigos e os raspanetes. Crescer bem é ter este equilíbrio do bom e do menos bom. Eu acho que tive uma muito boa educação e é nessa crença que assento a minha personalidade todos os dias. Não posso simplesmente ser uma besta quando os meus pais fizeram um tão bom trabalho.

Hoje, sinto que chega a hora de retribuir. Porque sei o esforço e a dedicação que foi necessária para que eu não me deslumbrasse, não caísse ou simplesmente não desistisse. Herdei-lhes a vontade de dar mas o cuidado de não dar tudo. Aprendi a respeitar os mais velhos em todas as ocasiões e a tentar todos os dias merecer o respeito deles. Entendi que os outros não têm de sofrer consequências se eu estou num dia mau. Ensinaram-me que é preciso abdicar de cem cristais se quisermos ter o diamante. Sem esforço e bravura, ficará sempre tudo como está. 

Por isso, hoje sou a melhor filha que posso e sei. Visito-os com muita regularidade (admito que me deixo apaixonar pela calma da aldeia a cada fim de semana), levo-lhes mimos e esmago-os com carinho. Hoje, que não preciso, sou mais eu a ajudá-los a eles. Seja numa encomenda de bacalhau ou a despachar papelada junto do Instituto Nacional de Sabe-se-lá-o-quê. Perco horas a resolver coisinhas simples e ao telefone a desfiar assuntos leves. Por eles serem tão agradecidos, parece que é sempre pouco e pequeno aquilo que lhes posso dar. 
Há poucas coisas que se equiparem ao "Ah, minha rica filha!" depois de eu comunicar que determinada situação foi resolvida.
Adoram os queijos da serra que seguem do Algarve e as inovações que ainda não chegaram ao monte. O pai já se justifica com gosto, perante o meu olhar reprovador. "Hoje posso comer favas com chouriço porque bebi do teu leite magro sem saborzinho nenhum de manhã. Foi o combinado, não foi?"
Ele é o meu melhor mecânico e não dispensa o meu ouvido concentrado quando em causa está o funcionamento de um motor qualquer. Eu sou a arquiteta e crítica das obras dele. Ela é a melhor costureira e também quem me estraga roupa com pingos de lixívia. Eu ofereço-lhe flores, camisolas e as malas que ela muito subtilmente me pede emprestadas para sempre.

Sei que nem toda a gente terá uma dívida de gratidão e amor aos pais como a minha. Bem sei que cada casa é um caso. Mas cada relação tem o poder de se (des)construir de acordo com a forma como trabalhamos para ela. Os meus pais têm sido fulcrais nos momentos difíceis, o que nos fortalece e me torna mais mimada. Não há bela sem senão. Mas não mudava nada.
Sei que serão as pessoas mais importantes do mundo, até que o mundo receba um pequeno ser com o meu ADN. Caminharemos sempre juntos, porque eu acredito em amores incondicionais.





MariaDaniela

11 de abril de 2016

É preciso desabafar sobre isto!

- Afinal as Nike Cortez não são a it cena desta temporada. Deus é grande, é Benfiquista (piadola, hum!?) e toma conta de assuntos graves como são as sapatilhas do momento.
Ao que parece, tudo não passou de um susto! Viram-se alguns espécimes no street style deste mundo, falou-se disso em tudo quanto era blog e revista da área mas felizmente foi simulação. Já temos ugly shoes que cheguem (abordei amorosamente o assunto aqui)! O povo não larga os modelos da New Balance, os Adidas Superstar nem os Stan Smith a quem declararam o óbito no início de 2016 mas que continuam vivíssimos e pelas ruas das nossas cidades! Fico quaise (não digam quaise, por favor! é coisa que me enlouquece) com renovada esperança nesta humanidade que nem sempre mete palas nos olhos e se repapa com tudo o que lhe vendem. Gosto!

Lição a reter: usar aquilo que nos faz sentir a maior da nossa aldeia e não qualquer coisinha "porque é moda".





 - A página da Júlia Pinheiro (Júlia, de Bem com a Vida) não me seduz. Já lhe dei duas hipóteses e lá fui cuscar mas acontece sempre o mesmo: dou-lhe forte no scroll e não abro nenhum artigo. Já entendi que se direcciona um bocado para as mulheres mais maduras e o conteúdo parece ser trabalhado com uma seriedade que me é estranha. Falou-se, na altura do lançamento da Revista Cristina, que a apresentadora da TVI tinha "roubado" a ideia e antecipado a criação do projeto relativamente a Júlia. Cá para mim, há espaço para ambas já que o registo é totalmente diferente. Se utilizarmos o Daily Cristina como comparação aí a coisa toma dimensões ainda mais díspares. O blog da Cristina serve para sonhar, o da Júlia dá-nos dicas para envelhecer bem. Não critico. Apenas para mim vai continuar a passar ao lado.
Já o Blue Ginger da Raquel Strada traz muitas coisinhas boas para nós, miúdas frescas e fofas! Vamos aguardar o desenrolar de novas publicações e possivelmente voltaremos ao assunto. As expectativas são altas, já que a Raquel é linda, tem um estilo incrível e tem sempre imensas ideias giras. Aguardemos serenamente!

Lição a reter: controlar as expectativas e entender que, como não sou o centro do mundo, nem tudo é dirigido ao meu estilo de vida, idade, visão, gosto, ...





- No sábado, pela primeira vez na vida, desci no elevador do prédio e não estava maquilhada. Olhei para o espelho e a minha mente gritou automaticamente "Se esta merda sou eu, vou já enfiar um tiro no meio dos olhos!" É, o meu eu interior é um bocadinho bruto. Mas a verdade é que me apercebi que sou feia para caraças. Com uma carrada de lenha desarrumada no reboque de um camião. Como os terços fluorescentes que o Ronaldo em tempos usou ao pescoço. 
Se o Agir escreveu que Ela é linda sem makeup foi porque nunca acordou na mesma cama que eu! (Felizmente para os dois!) Até podia ser só deslavada, o que já não tinha grande assunto, mas acumulo manchas e todo um ar de cadáver nada simpático. Não há-de a gaja estar solteira, pensam vocês e muito bem! Se pensar bem devia mandar uma nota de agradecimento e uma de 50€ a todos os rapazes que se interessaram por mim. Ou disseram que se interessaram! Eu, neste ponto, já questiono tudo. Digamos que foi o meu shot de absinto misturado com realidade assim em jejum que doeu um bocadinho, deu uma ressaca dos diabos mas há que aceitar e seguir em frente. 

Lição a reter: meter nem que seja um BB Cream na cara antes de ir ver a caixa de correio.

Foto daqui.


Bom e agora sinto-me muito mais leve! Começar a semana a desabafar é fixe!
Agora quero ouvir as vossas opiniões. Não se acanhem!!

Uma santa semana,
MariaDaniela

7 de abril de 2016

Ah, os dias Felizes!

Está o povo descansado no seu local de trabalho, almejando a chegada do fim do dia quando o seu email pessoal recebe a boa nova. Não é o Espírito Santo (fujam dessa gente! quem vos avisa...) nem tampouco o Uncle George que nos deixou uma herança e só preciso de enviar os dados da conta bancária para nunca mais contar tostões. Não. Muito melhor! Arregalem os olhinhos!



Isto nunca me tinha acontecido. Peço sempre que me avisem se voltarem a ter roupa para a minha pessoa numa de "Ehn, pelo menos não me dou já como derrotada...". Nunca me respondem. Fico ali a sofrer em silêncio, com mais um desgosto no coração e um beicinho vergonhoso capaz de fazer a minha mãe cortar relações comigo à volta de uns 3 meses. 

Hoje o sol nasceu com mais força, os passarinhos voaram com mais alegria e eu tive direito às calças que queria e estavam esgotadas há meses. Depois de abrir este email que me emocionou mais do que um pedido de casamento (nunca me pediram, mas para bater este email não é fácil) vou direitinha ao site e apercebo-me que só há 1 par de calças do meu tamanho
Esta menina começa a fazer login e a escolher tamanhos com a velocidade de um cão hiperativo a correr atrás de um disco. Se não fosse a tempo, isto era coisinha para dar em depressão. 

E pronto, a compra está feita. Vai constar no post de presentes de aniversário que deve sair para a semana, por isso fiquem desse lado para ver o que é que os meus pais me ofereceram mas não sabem. 
Com alguma sorte a encomenda chega amanhã. O serviço é muito rápido e impecável. Sempre tudo muito bem embaladinho e a qualidade é a habitual. 
Deviam mesmo pagar-me (em géneros, que eu não sou esquisita) para eu dizer estas coisas, isto é lamechice demais. Mas é a marca a quem eu confio a minha bunda. Conforto, design e qualidade. São 10 anos de amor e espero que venham muitos mais daqui para a frente!! 


Quem estiver farto de ouvir falar na Salsa que me comece a atirar os ratos do pc. Eu entendo. Quem conseguir ir aguentando o sofrimento que fique desse lado que eu depois mostro tudinho!

Ah, os dias felizes! ahah
Um beijo,
MariaDaniela

4 de abril de 2016

24.

Este fim-de-semana teve um encanto especial. Para além do tempo bipolar e da logística que envolve ir ao Alentejo, era altura de festejar o meu aniversário.
Já não ligo a grandes alvoroços nem festejo o "mais um" como se fosse a passagem de ano mas sabe sempre bem a boa companhia e os mimos de toda a gente que gosta de nós.
Este ano tive a sorte de poder jantar na véspera com um graaaande amigo e esperar pela meia noite com ele. 


Depois de jantar, fomos a um bar onde passámos as tardes do nosso Secundário mas desta vez sem cerveja e sangria mas sim com conversa sobre o IRS. Demos por nós a rir imensas vezes enquanto percebíamos as mudanças. Invariavelmente soltámos um "Estamos velhos." de cada vez que, de facto, o sentimos. Soube pela vida.



No próprio dia de festa, houve família, amigos e um bolo hilariante, tal como pedi à minha vizinha pasteleira. 


Foi um fim-de-semana giríssimo, pacato, com boa comida, bebida e gente tonta. 
Fica aqui um pequenino registo porque vocês já fazem parte da minha vida e não havia como não partilhar!

Sobre as prendinhas?! Ahhh, conto mostrar-vos, têm é de ter um bocadinho de paciência! 

Um beijo da vossa (velha)
MariaDaniela



1 de abril de 2016

Ah, o sentido de humor!



Podia falar dos supostos limites do humor, do politicamente correcto mas hoje é Dia das Mentiras e eu já estou a magicar umas bem cabeludas.
Divirtam-se, está bem? É sexta-feira e é dia de brincar!

MariaDaniela 

21 de março de 2016

TAG : Completa a frase



Eu nem sou muito destas coisas mas não há como dizer que não à Sr.ª Gata que já todas conhecem, né? Ela respondeu a esta TAG aqui e convidou-me a dizer de minha justiça também. Vejamos.



1- Sou muito... divertida! Pés no chão, sincera, exigente, protectora, "morning person".



2- Não suporto... intrigas, falta de escrúpulos, competição desnecessária e o barulho do despertador!!!



3- Eu nunca... tomo decisões a pensar só em mim.



4- Eu já briguei... sem ter razão e nunca pedi desculpa! 



5- Quando era criança... jogava muita bem ao berlinde e queria ser escritora. Hoje sou a rainha do Excel, que é como quem diz, sonho realizado! ahah



6- Neste momento exacto... Estou no escritório a desejar muito que seja quinta-feira. Até agora nada...



7- Eu morro de medo de... perder os meus. Deve ser avassalador. Morro de medo de lutar a vida toda por aquilo que quero e nunca lá chegar. 


8- Eu sempre gostei... do som do mar bravo nas manhãs de inverno, do silêncio, dos meus pés, das conversas sarcásticas com a minha mãe.



9- Fico feliz... quando o melhor amigo me liga, com o reconhecimento do meu trabalho, por estar onde estou, por saber que os pais se orgulham. Mas o que me deixa meeeesmo feliz é ter um fim de semana desastroso a nível gastronómico e na segunda-feira seguinte ainda caber dentro da roupa. Não tem preço <3



10- Se eu pudesse... transformava esta bolinha a que chamamos Terra num lugar melhor para pretos, brancos, amarelos,... Sem fome, com acesso a cuidados de saúde, educação,... 



11- Se pudesse voltar atrás... mudava apenas uma coisa que iria transformar tuuuudo o resto.



12- Adoro... Quando um colega de trabalho me liga e diz "Bom dia, coraçanito!!", quando encontro dinheiro no bolso, quando posso ajudar os meus irmãos e os meus pais, quando torno o dia de alguém um bocadinho melhor. Ah, e adoro que a Sia venha ao Sudoeste! 



13- Eu quero muito... Ter a minha casa e ter uma mini Maria Daniela (ou um Jerónimo Alberto!). Esta genética (de merda) não pode terminar aqui, senhores!! 



14- Eu preciso... de ter sempre mil objectivos para correr atrás! Sou movida pela ambição de ser a melhor versão de mim mesma e de conseguir tudo aquilo que for alcançável. If you can dream it, you can do it!

E preciso de chocolate Milka quando me dá a fúria do açúcar.



15- Não gosto de ver... filhos a maltratar pais. Fico possessa, quase me torno violenta! Detesto faltas de respeito, pessoas que abandonam animais e lixo nas praias!! 



Nada random. Eu, de facto, ou lhe dou um granda texto em que acabo por não dizer nada ou faço estas TAGs que ficam confusas pra caraças!  

Bom, mas fica aqui esta forma super pessoal de vos dar os bons dias e a boa semana!  



Um beijinho,

MariaDaniela  




PS- The Lovely Diary, Nem Mais Nem Menos, As Coisas Dela, FashiONoir, estejam à vontade para responder, sim? E todas as meninas que passam por aqui, sintam-se convidadas!


7 de março de 2016

O currículo e uma fotografia atual, por favor.

Antes de mais, já repararam que estou a publicar um bocadinho de "treta" às segundas-feiras? É, gosto deste formato e de começar as semanas de forma serena. Já que adoro escrever, têm de levar com uma dose semanal de "desabafo". Sacrifícios!

Adiante.
Quem anda ou já andou na luta por um emprego já leu de certeza esta frase que figura no título.
O nosso percurso académico e profissional é imprescindível quando nos candidatamos a um lugar mas a nossa cara também tem muito que se lhe diga.
A grande maioria dos anúncios de emprego pede uma foto atual a acompanhar o curriculum vitae e a carta de apresentação. Não é por acaso nem é para saberem se são aquele bebé que abandonaram à porta do hospital. Os propósitos são muito mais macabros, minhas amigas.
Não é novidade nenhuma que a nossa aparência tem imensa importância nas mais diversas situações. Vendem-nos isso na faculdade (pelo menos na minha), nas revistas e restante comunicação social, nas lojas de roupa e maquilhagem. Sim, deve ser intrínseco à nossa alma querermos ser Doutoradas e ter as medidas perfeitas.
Os empregadores também são influenciados pelos mesmos "fazedores" de opinião que nós. E levam o assunto muito a sério.
Portanto, se a aparência tem peso na seleção dos candidatos a um lugar? Tem! E muita!
Conheço o lado de alguns empregadores e conheço o meu lado: o de quem precisa de emprego.
Por mais que não digam, sabemos sempre que aliado a um percurso interessante deve estar uma cara bonita. É mais cativante e enquadra-se melhor em momentos de exposição pública.
E se não formos a miúda mais gostosa do pedaço? E se temos acne, cicatrizes ou usamos uns óculos com lentes muito grossas?!
A verdade é que as pessoas mais competentes que conheço não são de todo as mais bonitas. Isso devia fazer alguém perceber que não é um belo rabo que define uma boa assistente. Nunca foi.
Mas estamos a ser rotulados pela nossa aparência, cada vez mais.

Há dias, o meu superior (de quem sou amiga pessoal) advertia-me a não cortar o cabelo, conforme o que eu ia lamentando as minhas pontas secas. Dizia ele, e eu sei que assim é, que o cabelo comprido me dá a jovialidade que estava a faltar aqui. Que com fios mais curtos vou adquirir seriedade e sobriedade em demasia. Entendo-o. Toda a gente me leva a sério (sem dúvida!) mas entre eles sou a miúda fresca e fofa que para além de lhe dar duro no excel também sorri para toda a gente. E eu tenho a certeza que é por isso que aqui estou. Por ser acessível, por me adaptar e pelos meus fios leves e longos que combinam tão bem com o sorriso rasgado. Não me envergonho de o dizer. Envergonha-me é que possa haver alguém muito mais competente do que eu que ficou para trás somente porque era mais atarrecado, mais tímido ou com dentes mais tortos.
Isso é que me magoa e me lixa o juízo. Que se esteja a vender mais a imagem que o conteúdo. Que, na preparação para uma entrevista, seja motivo de maior preocupação a maquilhagem que se leva do que o conhecimento da empresa empregadora.
Tira-me do sério que o  aspecto físico seja avaliado. Que apenas os mais bonitos sejam selecionados para entrevista. Não é justo. Todos sabemos que não. 
Conversava há pouco com um amigo que está a terminar o curso e se mostrava cheio de medo de não conseguir emprego por causa da aparência. Ele tem um ar de "Estou-me nas tintas" naturalmente, que não diz rigorosamente nada sobre ele mas que é o que transmite sem falar. Facto. 
É tão ingrato que a maior preocupação dele nesta fase seja a aparência... 
Espero muito sinceramente que esta situação se dissipe. Que o carácter e as qualidades individuais sobressaiam mais do que a cor dos olhos. Precisamos muito que assim seja.  



MariaDaniela