Mentir é necessário. Facto. Mentimos à amiga que parece uma rotunda naquele vestido, mentimos à mãe quando o namorado nos deu com os pés e nós insistimos em dizer que estamos frescas e fofas, mentimos ao professor quando dizemos que o avô deslocou a anca e por isso não fizemos o trabalho de casa.
Podemos discutir sobre quais as aceitáveis e quais as que não o são. Isso fica ao critério de cada um (podem partilhar a vossa opinião a este respeito!) e é tão subjetivo quanto o conceito de bom e mau.
Eu sou óptima a mentir. Admito. Aprendi a mentir na escola para me safar de recados na caderneta e passei a usar a minha habilidade para imensa coisa. Cresci e passei a mentir em apenas duas situações:
- Situações embaraçosas que me obrigam a criar a mentira imediatamente (O que fazes aqui com o meu irmão?);
- Quando me perguntam algo e eu não quero contar (mas a pessoa insiste).
Mentira. Também minto nas entrevistas de emprego. "Qual o seu maior defeito?"... Bolas!
"Sou muito perfecionista." "Às vezes sou demasiado persistente." Ahahah
Treta! Sou uma grande preguiçosa! Mas por ser preguiçosa, sou óptima a criar atalhos nos processos e a arranjar formas de desenvolver trabalho muito mais rapidamente. Se o empregador acreditava nisto se eu lhe dissesse? Claro que não! Então, sou "demasiado persistente"! Ahahah
Agora do outro lado. Já me mentiram muito. Tanto quanto a vocês. Já conheci príncipes e princesas que tinham um reinado infinito. Na verdade viviam num T1 com mais 3 pessoas.
As maiores mentiras que já ouvi foram sempre na tentativa de aumentar o património. E eu que me interesso tanto pelo que os outros têm... (irony all over the place)
A melhor mentira que já ouvi veio de um rapaz que disse ter 6 meses de vida devido a um problema no coração. Tocou no meu e lá me sacou. Continua vivinho, já passaram 5 anos.
Por ser boa mentirosa tenho algum (mentira, muito!) jeito para apanhar as mentiras dos outros. Não me perguntem como. É uma questão de contexto e detalhes.
A verdade é que mentir é tão banal que eu até já peso as mentiras nos dois pratos da balança.
Se o gajo disse que andava de BMW e anda de Fiat Punto (nada contra!) eu vejo de duas formas nada compatíveis:
- Este gajo está a tentar impressionar-me, a tentar captar a minha atenção e interesse.
- Este otário deve achar que se contasse a verdade eu não lhe continuava a falar. Deve achar que me interessa o que ele tem!
Às vezes é escolher uma das formas e levá-la para as futuras mentiras. Outras vezes é sorrir e acenar...
Há as mentiras cruéis, as piedosas, as de engante, enfim. Os estudos dizem que mentimos muito. Acredito.
As mentiras são das coisas mais difíceis de perdoar (e posteriormente esquecer). Uma mentira pode começar uma relação e também pode terminá-la. A descoberta de uma mentira pode doer mais do que uma coça daquela gaja culturista lá do ginásio.
O que é que falta, quando mentimos? Sensibilidade.
Saber reconhecer o impacto das palavras e quão devastadora pode ser a revelação da verdade.
Enfim. Encham o bolso de honestidade e saiam à rua. Mas continuem a dizer àquela rapariga tímida e sem confiança nenhuma que ela está giríssima hoje. Pode não ser verdade hoje, mas poderá sê-lo amanhã! :)
Um beijo,
MariaDaniela









