Estão a ver o Obélix? Eu sou o Obélix na minha cabeça. Bem, do príncipio.
O meu ex namorado, sempre que precisava de levantar alguma coisa pesadona ou de fazer algum esforço na vida, dizia que tinha de vestir as cuecas roxas. Eu acho que nasci com as cuecas roxas.
A capa comprei depois a prestações em 64 vezes sem juros. Eu e o Obélix partilhamos o destino de ter "quase-herói" escrito na testa (ou na pança alegremente mole que envergamos).
Os dilemas dos outros já me preocupavam ainda eu tinha dentes de leite e franja nos olhos a desafiar uma futura vestigue (Deus foi amigo...). Não atafulhava os ouvidos dos meus pais com tralha do meu dia-a-dia porque me parecia estupidamente óbvio que o deles tinha sido muito mais hardcore. Não, não sabia o que era "hardcore". Não, não achava que nada poderia ser pior do que perder ao berlinde.
No entanto, e numa de "se não atrapalhar já ajudo", fui acompanhando mais as coisinhas deles do que eles as minhas. A minha mãe soube que fui vítima de bullying dos 6 aos 12 anos quando eu já ia lançada nos vintes. Qualquer dia conto-lhe que parti um dente da frente no balneário da escola no 5º ano. Para já, ela ainda não está preparada.